domingo, novembro 3

Acorda

O talento_
O destino_
O nascer para ser._
Não são mais que armadilhas_
Mentiras_
De virtudes disfarçadas._
Acorda._
Para ser, tens que fazer_
Tens que criar_
Tens que estimar._
Dizer o que não se faz_
Pregar o que é ilusão?_
E nunca pedir perdão._
Acorda!_

Poema sem título

Se os olhos são o espelho da alma_
É visível a cegueira_
De quem os não vê_
De quem com eles olha_

E o que espanta ser aquele,_
O portador da dita,_
Quem ignora a sua essência_
Quem dita a sua ausência_

Que a alma pode ser grande_
Ai! Mas quantos a fazem pequena!_

segunda-feira, agosto 5

Falta um pedaço

No dia em que acabei de ler o Orgulho e Preconceito, da Jane Austen, não aguentei (óbvio) e tive que ir ver o filme. Obra cinematográfica lançada em 2005, repleta de gargalhadas e covinhas, proporcionadas pela actriz Keira Knightley - escusado será dizer que entretanto descobri que, uma década antes, já tinha sido feito um filme, supostamente melhor, mas os actores em nada se comparam à imagem que criei na minha mente, ao ler o livro, portanto...fiquei-me pela versão de 2005 (cada um com as suas manias, não é?) -, que foi completamente ao encontro da essência da personagem criada pela excelentíssima autora da obra em questão.

Se gostei do filme? Sim e não. Sim, porque é fiel à obra original e a escolha dos actores é, deveras, feliz. Sim, porque a própria história e desencadeamento dos acontecimentos é interessante e, se gostei do livro, inevitavelmente, iria gostar do filme, nesse aspecto. Não, porque, como em qualquer filme feito com base numa obra literária, falta um pedaço

Talvez não me encontre na posição mais imparcial para avaliar o filme nesse sentido. Nunca me conseguiria distanciar do facto de já ter lido o livro, principalmente quando tinha terminado a obra apenas horas antes. Mas o facto é que fiquei com a impressão de que, mesmo para quem nunca tenha lido Orgulho e Preconceito, ao ver o filme, é-nos transmitida a sensação de que a história se desenrola a um ritmo alucinante. Que não existiram nem tempo nem interacção suficientes para criar qualquer tipo de afinidade entre as várias personagens. Nem mesmo para desenvolver as mesmas. Há situações que perdem todo o sentido devido à sua descontextualização, diálogos inapropriados que chegam a arriscar o absurdo. Clichés completamente desnecessários e inexistentes na obra original que, ao invés de enriquecerem o filme, apenas o tornam mais banal. Outro ponto negativo é o pouco ênfase existentes nos principais temas da história. Exacto. O orgulho e o preconceito, obviamente, o que é notado logo à partida, com a frase presente no cartaz do filme "Sometimes the last person on earth you want to be with is the one person you can't be without.", que, na minha opinião, não representa, de modo algum, aquilo que a autora tenciona transmitir ao longo do livro.

Por outro lado tenho que ser justa e admitir que muitas das alterações feitas à história são extremamente convenientes, pois não nos podemos esquecer que contar uma história com base na imagem e no som traz possibilidades que devem ser exploradas. E dou um exemplo: muitos diálogos existentes em cartas, no livro, são passados para conversas tidas pessoalmente. Ora, tal alteração é justificada, uma vez que não faria qualquer sentido termos infinitas referências a cartas ao longo do filme, o que acontece no livro, numa época em que a escrita surgia como principal meio de comunicação entre as pessoas.

E claro que acabei por divagar. Pride and Prejudice não se tornou num dos meus filmes favoritos, mas sim dos que menos me desapontou no que toca a obras cinematográficas baseadas em livros. Extremamente fiel à história, às personagens e à própria linguagem, não apresenta qualquer aspecto que choque ou indigne o leitor. Portanto, no geral, a minha opinião mantém-se positiva.

Apenas...falta um pedaço.

sexta-feira, junho 14

A palavra proibida

Soa foleiro. Parece cliché. Tirado de algum conto de fadas enganoso, que uma qualquer voz cansada nos leu numa noite distante, depois de um longo dia de trabalho.

Provoca risos nervosos. Constrangimento. Piadas forçadas. Motiva desconfianças. Traz consigo memórias penosas.
E está sempre lá. Onde deve estar. A trazer algum sentido a esta vida amaldiçoada. À existência humana que é finita, mortal, inevitável. Que é tão triste e tão bela na sua essência idiota.

Está em mim. Em ti. Nele. Está em nós. É o verbo mais difícil de conjugar. A palavra mais complicada de usar - está mesmo ali, encostadinha ao "desculpa".

O verbo é o "amar". A palavra...o amor. Custa. E na nossa língua que é tão dura, tão crua, tão real. Custa mais.

Mas está lá. O constrangimento? Existe, porque todos nós o sentimos. O amor. Eventualmente. Por tanta gente. Por tantos seres, sítios e momentos.

Para mim...o amor tem nome. Tem nome de gente. Tem nome de homem. Tem nome de animal, de terra e de irmão. É plural. É infinito. Nem com a vida se finda.

Há o amor e há o amor. São diferentes. Sempre grandes.

O amor romântico? Inspira canções, expira perfume. Mexe. Muda. Abana. Agita
...

E depois acalma. Ajuda. Ampara. AMA.

Há sempre uma nota a mais que quero ouvir. Há sempre um pedaço novo a descobrir. É assim. Infinito. O amor.
 
"Still a little bit of your face I haven't kissed
(...)
There's still a little bit of your words I long to hear"

quarta-feira, maio 15

Impróprio para transportes

Já me disseram que sou uma benfiquista emprestada. E não pude dizer nada contra essa afirmação. É verdade. Já houve tempos em que acompanhava os campeonatos com todos os murros, gritos e pulsações aceleradas que isso implica. Ultimamente, é raro ver um jogo.

Mas o que posso eu fazer? Sou benfiquista de coração. Quando o Benfica perde, fico triste. Quando ganha, sinto-me orgulhosa! Quando perde, mas joga como jogou hoje...fico de peito cheio.

E perguntam-se: "mas ela viu o jogo?" Sim! Vi, de todas as formas possíveis, num fim de tarde/início de noite frenético.

Portanto, resumindo a minha hora e meia de final de Liga Europa: saí do trabalho com um olho nas televisões da redacção e outro no telemóvel, enquanto tentava sintonizar o rádio do telemóvel no jogo. A caminho do metro, decidi ir de autocarro para não perder pitada - sim, porque ouvir rádio enquanto se anda de metro nunca corre bem. Entretanto, a caminho da estação dos barcos, vejo três ecrãs gigantes em plena Praça do Comércio...e lá vou eu ver o fim da segunda parte

Intervalo. Pego em mim e vou directa para o barco das 20h50. Zapping pelas rádios, volto à Antena1 e continuo a ouvir o relato - e juro, não há nada mais emocionante do que acompanhar um jogo pela rádio. Fazem com que um passe de bola pareça algo do outro mundo! São constantes "ais" e "NÃO" e "VAI!" e alhos, bugalhos e arregalares de olhos e socos nas pernas! Em televisão, todas estas reacções seriam cortadas para metade.

Chegada à minha terra, noto que está mais gente que o habitual de fones nos ouvidos.

Vi o fim do jogo já no conforto do meu lar, pela televisão. O coração parou quando entrámos nos descontos, ainda traumatizado do fatídico jogo com o Porto. E eis que os meus agoiros se tornam realidade...e pronto. Fomos com os porcos será a expressão correcta.

Isto para dizer que, em primeiro lugar: ouvir um relato pela rádio consegue ser muito confuso quando não sabemos ao certo os nomes dos jogadores da nossa equipa.
Em segundo lugar: eventualmente acabamos por decorar três/quatro nomes, o que é o suficiente para se perceber quem está com a bola.
Três: nunca, jamais, em tempo algum, serei uma benfiquista emprestada. E a partir de agora vou ver os jogos. Não todos - isso não vai acontecer, não quero aldrabar ninguém e tenho coisas mais interessantes para fazer do que ver TODOS os jogos do Benfica -, mas definitivamente, ALGUNS! E com alguns, quero dizer, o suficiente para saber em quantas vamos no campeonato!

E viva o Benfica! Pronto.

terça-feira, maio 14

A precariedade da blogosfera

Não.  Não vou falar da precariedade na vida profissional dos jovens da actualidade. Convivo com isso todos os dias, é provavelmente um assunto sobre o qual ainda me debruçarei, mas hoje, não é o dia.


Falo da precariedade da blogosfera. Enquanto que este espaço é relativamente recente, tempos houve em que eu escrevia diariamente num blogue. Em que, inclusivé, já pertencia a uma pequena comunidade na blogosfera. Depois de cerca de 2 ou 3 anos a escrever nesse espaço, acabei por imprimi-lo e encaderná-lo - pedaço de folhas esse, que guardo religiosamente - e fechei o blogue. Agora, passados anos, fui à procura das páginas que seguia na altura, da tal "pequena comunidade" da qual fazia parte, com tanto orgulho. Deparei-me com uma série de páginas deixadas ao abandono. Nem um post-it, nem um cartaz a dizer "mudámo-nos para endereço x"...nada. Tal e qual como eu fiz na altura. Abandonei-os, sem quê nem porquê. E eis que se torna impossível recuperar aquelas leituras às quais me dedicava durante horas a fio.

Talvez esteja na altura de começar de novo. De encontrar uma nova blogosfera. Mas, tal como um círculo de amigos que se perde, já não vai ser a mesma coisa.

segunda-feira, maio 13

Branco mais branco...

Estou a entrar num ciclo perigoso de insanidade. A sério. Começo a ficar assustada.

Ontem, estava eu nos meus afazeres, a navegar por este mundo fora, quando me deparei com uma lista de coisas aparentemente espectaculares, capazes de mudar a minha vida! Claro que com uma venda desta categoria, cliquei no artigo em questão e lá fui ver afinal que lista era essa.

Tudo começou assim. E acabou em cerca de hora e meia a ver dicas e dicas (e dicas) de limpeza, arrumação e decoração de interiores. Se isto é normal? Não. Claro que não! Com todo um MUNDO que compõe o cenário virtual...eis que eu fico limitada a uma selecção digna das revistas dos anos 60.

É assim a vida de quem é forçada a partilhar o seu espaço com dois exemplares do género masculino. Querendo ou não, é inevitável uma certa mutação. A pouco e pouco, sinto que me estou a transformar na minha avó. Numa espécie de "nazi da limpeza" - quando já não bastava ser uma autêntica "nazi da gramática" -, extremamente interessada em diferentes formas de organizar enlatados, enfrascados e empacotados desta vida. Capaz de matar por um chão livre de cotão. Fascinada com o aparente poder do vinagre no que diz respeito à limpeza e desinfecção - poder esse que ainda não tive a oportunidade de testar, mas acerca do qual prometo deixar um feedback (!). E porque não? Talvez transforme este blogue num espaço dedicado aos afazeres domésticos do dia-a-dia.

quarta-feira, maio 8

Quase 365 dias

É verdade. Há quase um ano que não escrevo neste espaço. Não terá sido por falta de aviso. É todo um blogue dedicado à poluição digital.
Poderia desculpar-me com o facto de ter passado por uma fase difícil no que toca ao sector informático da minha vida. O meu laptop morreu e parecia não querer acordar para uma existência livre de calores e desmaios (in)esperados.

Mas não. Não o vou fazer. O facto é que tenho sofrido de uma espécie de bloqueio criativo. Ou escrito. O que é uma maneira bonita de dizer que não me tenho esforçado minimamente nesse campo.
Quando é que me apercebi do escândalo desta situação? Quando, há uns dias, vim actualizar o livro que tenho na "mesa de cabeceira" - título que não deixa de ser enganoso, uma vez que não possuo tal exemplar de mobília - e me deparei com uma publicação acerca do World Press Photo de 2011. Ora, acontece que esta semana devo passar pela exposição dedicada às fotografias vencedoras de 2012. Portanto...sim: já lá vão (quase) 365 dias desde que postei aqui pela última vez.

Mas chega de divagações. Tenho estado longe. Mas agora estou tão perto como poderia estar. No meu laptop, que está no "top" do meu "lap", neste momento.

terça-feira, maio 22

Visita à World Press Photo

Há dois anos fui ver a exposição World Press Photo e este ano decidi repetir a experiência que, obviamente, é sempre única. A cada ano surgem novas e arrebatadoras fotografias. Quem procura um tipo de fotografia mais artístico, encontra. Quem prefere um género mais jornalístico, também não sai desiludido. 

Esta exposição tem sido criticada ao longo dos anos, devido à escolha das fotografias vencedoras. Consigo compreender porquê. Há imagens capazes de escandalizar até o mais frio visitante. Existe uma busca óbvia pelo sensacionalismo e pelo choque. Há dois anos vi fotografias que me deixaram perturbada durante dias e ainda hoje não gosto de as relembrar. Muitas das obras contêm pouco ou nenhum conteúdo jornalístico e talvez seja esse o combustível que mantém a World Press Photo viva e com tantos visitantes todos os anos.

Independentemente disso, vale a pena visitar esta exposição. Dividida em várias categorias, contém fotografias que valem realmente a pena. Se nos abstrairmos das cabeças cortadas, animais mutilados, pessoas moribundas e afins - acabam por ser uma minoria -, é possível perdermo-nos em paisagens quase fantásticas, culturas espantosamente representadas numa imagem, histórias contadas num "clic".
Outra das grandes mais-valias desta exposição, é abrir-nos os olhos para o que se encontra no exterior do nosso pequeno mundo. Vivemos fechados no nosso próprio umbigo e acabamos por perder a noção da realidade mundial. É claro que uma hora ou duas a olhar para fotografias não traz uma verdadeira noção do que é esta realidade, mas durante essas duas horas...acontecem coisas - passado 10 minutos à procura de uma palavra...tive que desistir.
Para quem não foi este ano, é esperar pelo próximo, porque a exposição já fechou.

As fotografias podem ser vistas em  http://www.worldpressphoto.org/

sexta-feira, abril 27

"We can do it"

Sempre me fez muita confusão aquela ideia de que temos que ser capazes de fazer tudo. O ser humano tem que arranjar maneira de trabalhar, fazer desporto, estudar e ainda dar atenção à família, aos amigos e a si próprio.


Agora sinto que aderi à "moda". Estou a estagiar há cerca de 10 meses e a trabalhar há cerca de duas semanas. Hoje em dia já se sabe que estagiário é equivalente a "mão-de-obra gratuita". Ora, isso significa carteira vazia e muitas dores de cabeça. Portanto, peguei em mim e, depois de entrevista, prova e formação, consegui trabalho. Fui às finanças e agora sou oficialmente uma cidadã remunerada.

Claro que estou em regime de part-time para conseguir conciliar tudo, mas os tempos livres que tinha, foram-se. Quando não estou a trabalhar, estou no estágio e vice-versa.

Terça-feira é feriado e, contra tudo aquilo que esperava, vou realmente ficar em casa (!). Amanhã? É sábado e vou para o estágio. Com muito gosto!

Agora só falta encontrar a coragem para praticar o tal desporto...

domingo, abril 22

O Senhor dos Anéis - "never ending story"

Recentemente passei por uma fase em que lia um livro por semana - mais coisa, menos coisa. Espantavam-se quando, poucos dias depois de começar a ler um livro, já tinha outro na mala. Não é algo que eu tente fazer, nem tampouco de que me orgulhe de fazer...é simplesmente um facto: eu devoro os livros. E teria continuado a devorá-los, não tivesse ocorrido algo que veio mudar toda a minha realidade. Ele chama-se "O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel" e eu estou a demorar séculos a acabá-lo!

Será por não gostar do livro? 
Não. Acho a história bastante interessante. 
Será complicado? Não, acompanha-se bem. 
Ando a dormir pouco? Também não...durmo as horas suficientes.

Não sei. Nos últimos dias consegui retomar o meu ritmo "normal" (mais ou menos) e já vou a mais de meio do livro...mas agora dou por mim a pensar: será que devo ler a trilogia?

Talvez devesse ler a versão em inglês - as traduções são bastante cruéis com a verdadeira essência e talento dos autores.
Ou então não ando nos meus melhores dias - e quanto a isso, não tenho a menor dúvida. 
Outro factor: o sono. Não podemos sequer colocar a hipótese de ler "O Senhor dos Anéis", quando estamos a morrer de sono...é preciso estarmos ali, presentes na história.

De qualquer forma, recomendo vivamente este livro. É mágico. Não dêem importância aos meus devaneios. Desvantagem? Faz-nos querer sair deste mundo para aquele criado por Tolkien. 

(E isso, por si só, constitui uma grande vantagem. Não é esse o destino que procuramos quando nos perdemos na leitura? Entrar noutra realidade?)

domingo, abril 15

Sem solução


E se eu quiser desistir? Sim. E se, num segundo de loucura ou pura clareza, eu decidisse desistir. Não de mim. Mas dos outros. Da segurança. Deixar de ser razoável. De pensar no futuro.

Seria assim tão mau? Tão grave? Parar de pensar e de desesperar de dia para dia...e simplesmente, desistir. Viver a minha vida. Não a dos outros. Sofrer as consequências dos meus actos. Não dos outros. Depender apenas de mim.
Esta surge como sendo a única saída possível de um ciclo vicioso de anos e anos...que promete caminhar por um caminho cada vez mais obscuro. Estou presa a decisões alheias, a egoísmos extremos. Obrigada a viver uma vida que não escolhi...apenas à espera que tudo mude.

Mas e se eu desistisse? Ignoraria todos os planos, todas as precauções. Partiria à procura de mim mesma. Da minha vida e da minha felicidade. Talvez da minha tristeza e das minhas frustrações. Mas seriam minhas.

E se...e se...e se...

Não passa disso. 

Porque não consigo. Porque não quero. Porque desistir agora deixar-me-ia numa posição irremediável.

O único problema?

Ao não fazer nada, desisto todos os dias. Desisto de mim. Do que acredito. Do que penso. Ao viver num sufoco constante, numa concha, num mundo onde não pertenço...anulo-me.

Solução?

Continuo à procura. Todos os dias. E não a encontro.

sábado, abril 7

Livro de infância


Quando era pequena li este livro. Marcou-me bastante e há pouco tempo descobri que foi adaptado para o cinema. Ainda não vi o filme mas está na minha lista de "coisas a fazer".

domingo, março 11

A tristeza de escrever


Falava no outro dia sobre artistas. Músicos, poetas, escritores e pintores...pessoas para quem a angústia, a tristeza e o desespero são combustível de grandes obras. A ausência de dor traz uma apatia, um silêncio artístico. Consequentemente essa aparente felicidade chega com uma dose de frustração...suficiente apenas para alimentar o desespero, mas incapaz de produzir qualquer tipo de conteúdo. 
Não me considerando uma artista, vejo-me reflectida neste fenómeno. Há anos que deixei de escrever. Porque há anos que as noites se passam tranquilas e há noites que as insónias não me atormentam. O desespero de dias passados desapareceu e com ele foi-se a ânsia de escrever, as palavras que saíam naturalmente e sem controlo. É verdade que a felicidade trouxe muitos momentos de inspiração em termos criativos, mas é sabido que as emoções mais negativas, são também aquelas que trazem as músicas mais belas, os poemas mais sentidos...talvez porque traz consigo a solidão, a introspecção e a reflexão que a felicidade anula. 
Porém, estar constantemente preso à infelicidade, sufocado e limitado por essa infelicidade, traz uma falsa sensação de segurança em termos criativos. Ao julgarmos que estamos a alargar os nossos horizontes, estamos apenas a fechar-nos numa pequena concha. É verdade que a felicidade abala o mundo de quem cria, mas não é diferente de qualquer outra mudança. Estamos confortáveis naquela tristeza que abominamos, usamo-la da melhor maneira que sabemos, aprendemos a viver com ela, até que deixamos de saber lidar com uma nova realidade, quando ela surge.
Deixei de escrever. Algo que sempre me preencheu, sem o qual não conseguia passar os dias. Sempre precisei de escrever e sempre tirei um grande prazer de cada linha que surgia das minhas mãos, da minha mente...das minhas angústias e do meu eu mais profundo. Não foi algo repentino, fui deixando de escrever durante dias, semanas e, eventualmente, as semanas transformaram-se em meses e os meses em anos.
O tempo passou e eu aprendi a ser feliz. Tenho um vazio deixado pela escrita, que tenciono voltar a preencher. Cresci e aprendi a conhecer-me, a interpretar-me e agora sei que não preciso de me fechar na concha para me conseguir libertar. Tenho muito que aprender, muito que crescer e muitos horizontes por explorar. A nossa existência não é tão linear como "alegria" e "tristeza", "noite" e "dia". Devemos, sim, aprender a vislumbrar cada um no seu tempo, na sua essência, na sua existência, que nunca é total nem inexistente.

terça-feira, novembro 29

Mudam-se os tempos...

Quando era miúda (ou seja, quando tinha 15 anos) lembro-me de ver colegas e amigos meus reunidos nas mesas do bar a jogarem às cartas. Eles passavam horas naquilo. Não faziam mais nada no intervalo e chegavam mesmo a faltar às aulas. Lembro-me que eram eles numa ponta do polivalente de roda das cartas e nós na outra ponta "a viciar" nos matrecos - engraçado como a palavra "matrecos" ganhou todo um novo significado nos últimos dias.

Eu não percebia aquele fascínio pelas cartas. Eles - todos rapazes - vangloriavam-se com as vitórias, desesperavam com as derrotas e viviam cada jogo com uma intensidade surreal. Ainda tentei perceber como é que se jogava mas o meu interesse durou segundos. 
Lembro-me de um episódio em que um amigo meu esvaziou bolsos atrás de bolsos...todos cheios de cartas! Só para depois abrir a mochila...e encontrar mais cartas...cuidadosamente guardadas em bolsas de plástico.

Não, não eram cartas banais. Eram cartas Magic. Existia mesmo o "Clube Magic" na nossa escola...frequentado por rapazes com uma certa dose de geek"ice".

Não percebia. Eu e os meus 15 anos não conseguíamos encontrar o interesse daquele jogo que, confesso, me parecia extremamente complicado.
Hoje...tenho esta carta (daquelas cartas que esbugalha os olhos de quem joga Magic):


Sou uma planeswalker assumida e sim...tenho mais que um baralho. Só não jogo mais porque nem sempre tenho tempo, mas sempre que posso pego nas minhas cartas Magic. Não, o jogo não é assim tão complicado. Sim, é espectacular. Sim, vicia. Sim, agora percebo a pancada dos meus amigos.

O facto de ter 21 anos é completamente irrelevante...e quem acha o contrário é preconceituoso e pode sair do meu blogue...tipo...já. Vá.

quinta-feira, novembro 24

Novas leituras

[primeiro post oficial nesta página]

Acabei recentemente de ler o último livro das Crónicas de Allaryia, do brilhante Filipe Faria. Este último livro foi de suster a respiração, sensação à qual o autor já nos habituou, e deixou-me com a sensação de que as crónicas não vão ficar pelo Oblívio - o que me deixou expectante e entusiasmada.


No fim de uma saga que já durava há cerca de sete anos - pelo menos para mim - fiquei meio perdida. E agora? O que é que vou ler?
Li um pequeno romance romântico da Maggie O'Farrel, My Lover's Lover (Incertezas do Coração, na tradução portuguesa) pela simples razão de nunca ter lido nada do género. Gostei muito do livro, a autora prende-nos ao seu imaginário e transporta-nos directamente para a mente das personagens. Foi bom, mas foi rápido e rapidamente voltei ao vazio deixado pelas crónicas.


O meu namorado tinha comprado uns livros fantásticos de um tal de George R.R. Martin. Li informações sobre o autor, descobri que já existia até uma série de TV baseada na obra e a contra-capa da Guerra dos Tronos foi o golpe final.

Levei o primeiro livro emprestado, um calhamaço daqueles, li-o em cerca de duas semanas e neste momento estou a devorar o segundo. É verdade...estou viciada. 

Confesso que no início fiquei relutante...nada se poderia equiparar às Crónicas de Allaryia. Por outro lado queria afastar-me um pouco do fantástico, explorar outros géneros. Mas enganei-me...no sentido em que existem inúmeras formas de abordar o fantástico. 

Encontrei n'As Crónicas de Gelo e Fogo personagens fascinantes, mundos desconhecidos e pontos de vista brilhantes, num mundo em que não existem elfos nem gnomos. Existem reis, rainhas, bastardos, guerreiros, traição e honra. Personagens brilhantemente exploradas. A magia está lá...mas não se deixa vislumbrar.

Resumindo...é o meu novo vício e as horas passadas nos transportes transformaram-se em momentos preciosos. 

Se recomendo? Apenas digo que para quem gosta do género...é obrigatório. Para quem não gosta...vai passar a gostar.

Follow by Email